Manos e Minas já era! Bola pra frente!

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Nos últimos dias nos deparamos com o fim do programa “Manos e Minas” veiculado todos os sábados pela TV Cultura. O programa estava no ar há mais de 10 anos, começou com apenas um quadro no programa “Vitrine” da mesma emissora e depois de alguns anos se tornou um programa na grade regular.

Vários nomes já passaram pelo programa, nomes de peso no Rap Nacional e da música preta. Manos e Minas estava sendo apresentado pela atriz Roberta Estrela D’Alva depois de reformulações sofridas pelo programa dando uma nova roupagem para o mesmo, inserindo outras linguagens das periferias.

Essa não é a primeira vez que o programa sofre um baque, há alguns anos o programa foi cancelado, ainda no Governo Geraldo Alckmim (PSDB), mas, por conta de uma articulação junto a deputados estaduais conseguiram barrar o fim do programa. O fim do programa foi justificado pelo discurso financeiro, sendo que o mesmo não teria bons resultados com patrocinadores dentro do mercado. A TV Cultura é uma conceção pública, é uma TV pública, dessa forma cancelar um programa que dialoga e dá voz para juventude preta e pobre das periferias não faz sentido.


Mas precisamos falar do Hip Hop, encaro com normalidade o fim desse programa que já foi importante para periferia, mas hoje nem tanto. Essa fala pode parecer dura de mais, mas não é. O Hip Hop nunca teve de fato uma força política e de mobilização do tamanho do movimento, sempre agarrados a poucas coisas e a detalhe pequenos, nunca mostramos nossa força, estamos mais preocupados em disputar espaço entre nós…assim, perdendo espaços que são nossos.

Precisamos discutir mercado, não é aceitável um movimento como o Hip Hop Brasileiro não ter esse diálogo aberto, temos que superar o estigma de que: os nossos não podem faturar com a cultura, tudo tem que ser feito com amor, mas amor não basta.

O fim do Manos e Minas vem em um momento de grande disputa na sociedade e calar um programa que levava a cultura da periferia para TV é uma consequência normal desse jogo. O cancelamento do Manos e Minas não é financeiro, não é sobre audiência, é político.

Manos e minas já era? Não sei, mas que ficou claro que nosso movimento não tem força alguma para enfrentar essa ação arbitrária da direção da TV e do governo do Estado e suas políticas racista e de exterminio do jovem preto, ficou!

Esse momento da história nos obriga a ser combativos e resistir aos desmandos dos governos, o Hip Hop precisa retomar seu papel na história e o cancelamento do programa é um exemplo de que paramos no tempo e que não ocupamos o papel de protagonistas de nossa própria história.

Hip Hop Vive!

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