Porque precisamos do Bolsa Cidadania em Araraquara

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Projeto de Lei em Araraquara que propõe complementação de renda para famílias em vulnerabilidade social será matéria de votação na câmara municipal.

Quem percorre as periferias da cidade sabe que esse projeto é importante e necessário para possibilitar oportunidades a centenas de famílias que vivem a margem da sociedade, ou seja, que vivem em vulnerabilidade social.

Vulnerabilidade social é um conceito multidimensional. E o que isso significa?  Vulnerabilidade social está relacionado a dimensões distintas da vida como renda, educação e saúde, por exemplo.  Vai dizer respeito a uma condição precária seja material ou moral expressas nos indivíduos ou de forma coletiva, diante das opressões originadas do contexto social que vivem.

Ter uma política que fomente a renda das famílias em vulnerabilidade social, em uma análise inicial, pode parecer assistencialista, mas, não se trata de “dar uma renda extra” trata-se de resgatar a cidadania dessas pessoas e famílias para que possam ter do Estado o mínimo garantido em lei como: saúde, alimentação, moradia, educação.

 Nessa perspectiva, A Bolsa cidadania não resolve, mas diminui muito a fragilidade de famílias que anseiam por políticas públicas.

Nesse sentido não só é necessário a implementação da Bolsa Cidadania em Araraquara, mas é urgente que se diminua lacuna entre cidadãos e Estado ou seja, quando o Município propõe uma lei com essa toma para si a responsabilidade de apresentar alternativas concretas, efetivas, para uma problemática concreta e efetiva que é a vulnerabilidade social dessas famílias.  Isso é a responsabilização do Estado.

 Vivemos em uma cidade privilegiada com boas políticas públicas, boas escolas, acesso a saúde pública e uma serie de ações que integram seus moradores, mas, ainda temos um cenário que está bem escondido aos olhos da maioria, um cenário de vulnerabilidade social em que famílias que não conseguem uma condição mínima para sua subsistência. 

Esse cenário de miséria traz efeitos colaterais, jogando crianças e adolescentes na criminalidade, jogando para fora da escola e é urgente que crianças e adolescente tenham outra perspectiva de vida longe da miséria que é um dos fatores do alto índice de criminalidade em nosso país e em nossa morada do sol.

Podemos fazer qualquer crítica a atual gestão municipal, o que não podemos é, hipótese alguma, antagonizar esse governo a ponto de nos tornarmos insensíveis as questões que dizem respeito à dignidade humana, sendo contrários a projetos que envolvem as periferias e sua desigualdade, sendo contrário a propostas que contribuam com a diminuição do abismo da disparidade social vivida cotidianamente pelos   habitantes das periferias, as trabalhadoras e trabalhadores dessa cidade.

Por isso é importante saber sobre esse projeto, como ele pode ser transformador para centenas de famílias e contribuir para uma Araraquara mais justa e solidaria.

Não podemos, não temos o direito, de fazer um debate apequenado com as vidas dos outros, com as vidas de quem precisa comer hoje, portanto, é importante que setores conservadores de nossa cidade façam críticas sim, mas que também discutam e construam juntos esse projeto e que proponham alterações, mas que essas alterações represente o conjunto da sociedade, que represente a política social e quem dela precisar.

É justa toda ação, projeto, políticas públicas que tenha como meta retirar pessoas da miséria, dando a elas condições elementares para viver.

Precisamos do Bolsa Cidadania em Araraquara porque a exclusão tem consequências nefastas para indivíduos e grupos em vulnerabilidade social, sobretudo a nossas crianças e adolescentes pretas e pobres das periferias de Araraquara.

José Lopes Nei

Militante dos Direitos Humanos

E membro do Coletivo de Mídia Alternativa e Direitos Humanos “Cotidiano Periférico”.

e-mail: joselopesnei@glogdonei.com.br

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